A Natureza Lhe Mostra Fora Os Desafios Que Você Vive Aí Dentro

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Entenda como a simples observação do meio ambiente pode ajudar na compreensão dos seus processos

Frequentemente eu observo que algumas pessoas têm uma visão distorcida do que é a natureza, à medida que se relacionam com ela como sendo algo a parte de nós. E não. Muito mais do que fazer parte da natureza, nós somos a própria natureza. Por isso, muitas vezes, em momentos de desconexão ou ainda quando nos sentimos perdidas, sem saber o que fazer, uma ótima maneira de melhorarmos é olhando para as plantas, por incrível que pareça.

O Reino Vegetal tem muito a nos ensinar e isso é uma coisa que eu trago do Goetheanismo, uma metodologia que Goethe criou, que tem o intuito de nos levar a observar os fenômenos que ocorrem no brotar de uma flor, no morrer de uma planta, na geração dos frutos, ou ainda quando eles começam apodrecer. Todos esses ciclos são muito visíveis aos nossos olhos e dessa forma nos ajudam muito a entender o nosso próprio processo, na vida complexa que vivemos. 

Quando eu me sinto angustiada, sem clareza de alguma coisa, eu não só reverencio o Sol, como também reverencio as plantas, atividade que aprendi quando fiz a Formação de Biografia, que durou quatro anos. 

Durante esse curso, a gente olhou muito para as plantas e as observou a partir da Fenomenologia, entendendo como elas crescem e o que as fortalece. E isso nos mostrou como funciona a nossa energia vital, como podemos fazer fluir aquilo que a gente quer na nossa vida, porque se você observar uma planta, é muito possível ver como nós nascemos e morremos ao mesmo tempo. Você já reparou como em uma mesma planta a gente consegue enxergar folhas bem novas, folhas mais maduras e folhas secas? Pois é. Isso acontece com a gente também. 

Quando falamos dos nossos sonhos, desejos, necessidades e vontades, nós temos sonhos que já não são mais sonhos, desejos que passaram a não fazer sentido e necessidades que a gente passou a ter que nem existiam antes. Como nas plantas, onde enquanto há folhas nascendo novinhas, outras estão morrendo. E em relação à estrutura da planta, ao caule, que se fortalece com o tempo, conosco acontece a mesma coisa. Já reparou? 

Quanto mais velha a planta, mais duro fica o caule. E ao olhar para nós, o que será que endurecemos com o tempo, que a gente não gostaria que endurecesse? O que em nós está rígido e não gostaríamos que estivesse? O que continuamos fazendo que nem tem tanto sentido assim, mas nós endurecemos e passamos a agir de tal forma que se tornou algo fixo no nosso modo de viver, no nosso cotidiano? Olhar para essas ações nos ajuda a refletir sobre aquilo que deixamos enrijecer e o que de fato gostaríamos que cristalizasse na nossa vida.

Uma outra parte importante é ver aquilo que está fluindo e pede nossa atenção. Onde está sendo fácil fazer as coisas, sem que nos demos conta disso? Não valorizando ou dando importância. Ou ainda: o que podemos deixar fluir mais se jogarmos nossa atenção? As plantas fazem com facilidade esse processo de fluxo e a gente tem muito o que aprender.

Só que elas, ao contrário de nós, já nascem para ser quem são. O coqueiro nasce um coqueiro e vai ser um coqueiro até o final da vida, porque ele é assim e nasceu assim, apesar de perecer, nascer os frutos, morrer os frutos, as folhas ficarem secas, nascer folhas novas… Ele continuou sendo um coqueiro. E nós humanos, como podemos apenas SER o que nós SOMOS?

Todos nós passamos por um momento na vida no qual nos questionamos de onde viemos e para onde vamos, começamos a questionar o porquê de estarmos fazendo o que estamos fazendo. E isso é uma virada excelente! É o momento que começamos a buscar o sentido na nossa caminhada. E então, você continua sendo o quê? O que você quer continuar sendo paro resto da sua vida? O que é que você quer levar até o final da sua vida, deixando até mesmo outras coisas de lado? 

Como vivemos em uma sociedade e cultura que valorizam muitas coisas que nem sempre reverberam em nós, acabamos levando alguns pontos conosco apenas porque é cultural. Mas é muito importante nos questionarmos se aquilo faz parte do nosso ser autêntico ou não. Fazer escolhas é uma coisa que nós – seres humanos – temos a opção. E precisamos levar isso em conta e usar ao nosso favor.

Para finalizar, outra característica (belíssima) das plantas com a qual podemos aprender muito é o SERVIR, é estar a serviço. Você pode pegar uma folha, uma laranja do pé, uma amora, uma pitanga, um manjericão, um alecrim, a hora que você quiser! Elas estão sempre disponíveis para servir e nós também deveríamos estar, dando aquilo que temos de melhor ao mundo. Isso é estar verdadeiramente a serviço. 

E a partir dessas reflexões, lhe convido a olhar agora para a sua vida de um jeito que você se conecte com a natureza e, de alguma forma, reverencie o que tem em você que faz parte dela, até que você sinta que nós somos todos uma coisa só.

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