Privilégio e Propósito – Como solucionar essa conta que sempre parece favorecer quem não precisa

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Foto que tirei lá na Tailândia

Em uma sociedade tão desigual, é inevitável não pensar na relação das palavras propósito e privilégio. No meu dia a dia, me deparo diversas vezes com esse dilema, de quem só quem é muito privilégio é que pode ir atrás do seu propósito. E isso faz todo o sentido sim, porém, não significa que não há responsabilidades envolvidas, maneiras de aproveitar essa realidade da melhor forma, ou ainda que aqueles que não se encontram em uma situação financeira e estrutural favorável não possam se quer ousar a ouvir seu chamado interior. 

Imagina então como seria viver onde todos tivessem escolha? Onde houvesse oportunidades iguais? Onde fosse possível de fato contribuirmos uns com os outros? Quantos talentos escondidos não temos por aí? Quantas resoluções poderíamos encontrar se cada vez mais as pessoas pudessem acessar sua força criativa?

Eu falo muito sobre propósito, intenção, sobre viver uma vida consciente, ter um trabalho com significado, que se comprometa em criar impacto positivo na sociedade e tenho consciência que estou falando, principalmente, para pessoas privilegiadas. E eu acredito que quem tem conhecimento é responsável por ele. Portanto, se a gente não fizer a nossa parte, não estamos fazendo o que precisa ser feito para evoluirmos como sociedade e humanidade. Somos responsáveis pelo conhecimento que carregamos e precisamos fazer que o nosso privilégio de  classe média, média alta se propague para as demais classes. 

A autorrealização não faz parte nem dos pensamentos da maioria das pessoas, porque essa escolha não existe, na verdade, essa opção não existe. A nossa sociedade é extremamente desigual e nós precisamos colocar o nosso privilégio a serviço do coletivo, pois a via é de mão dupla: evoluímos internamente, enquanto exteriormente ajudamos a criar um mundo melhor, mais justo e igualitário.

Se cada pessoa de classe média, média alta fosse desperta e consciente que é necessário sim ter um trabalho que traga impacto positivo para o todo, que melhore também a vida de quem não é privilegiado, não precisaríamos mais dos subempregos. Somos corresponsáveis por tudo. Então não é justo que alguém tenha que fazer aquilo que ninguém gostaria de fazer, os tais “empregos invisíveis”. Não é justo que alguém tenha um emprego apenas para pagar contas!

Nós seres humanos estamos aqui para fazer o que uma máquina não faz. E o que nos diferencia e caracteriza é o uso da nossa criatividade, por isso, é preciso que tenhamos uma estrutura educacional, por exemplo, que ajude, colabore para que possamos viver a nossa potência. 

Contudo, crescemos em uma sociedade onde é feio brilhar. E, infelizmente, como ser nós mesmos pode incomodar o outro, a gente acaba escolhendo muitas vezes o pertencimento ao invés da autenticidade. Só que pra mim, essas são palavras complementares e não de sobreposição.

Mas enquanto não chegamos nesse lugar como sociedade, precisamos trabalhar muito para que possamos ser nós mesmos. E pra mim propósito é justamente isso: ser nós mesmos, para assim conseguirmos evoluir como um todo. Ter trabalhos que tragam a nossa identidade genuína e autêntica faz com que cada um ocupe o  seu lugar nessa vida, conseguindo uma contribuição única. Enquanto na mão contrária, se podamos a criatividade e a arte da vida das pessoas, não damos a oportunidade para que elas evoluam. 

Sendo assim, fazer escolhas conscientes ultrapassa qualquer condição financeira, porém, é preciso que existam condições para ser possível fazê-las, como por exemplo, ter as necessidades básicas atendidas e ter acesso a uma educação de qualidade. Por isso, a contribuição social para o coletivo daqueles que tiveram acesso a essas premissas é tão fundamental. 

Sim. Todos nós somos responsáveis por criar melhores condições de vida e de escolhas, que reverberarão não somente para nós, como também para o coletivo. E é nisso que acredito.

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